Meritocracia falando alto

O economista Paulo Tafner, do Instituto Millenium, causou indignação após dizer, em uma entrevista para a GloboNews, que a reforma da Previdência corrige a “injustiça” de a empregada se aposentar antes da patroa.

“Como eu sempre costumo dizer, as nossas regras são tão injustas que empregada doméstica se aposenta 10 anos antes da patroa e há gente que defende que isso é razoável”, disse ele.

O trecho é da reportagem “Especialista diz na GloboNews que é injusto a empregada se aposentar antes da patroa”, publicado na Fórum. O caso é um exemplo muito útil da categoria de coisas que vemos no estudo dessa disciplina, em particular o conceito de meritocracia.

Na interpretação de Jessé de Souza, a meritocracia é expressão de uma visão limitada e limitante da vida social – o economicismo, que por sua vez é acionado como forma de encobrir as contradições e disputas que existem no tecido social brasileiro.

O argumento do economista, entretanto, acrescenta algo a mais, como se pode ver nesse trechinho:

 

Além de exprimir um preconceito de classe (qual o problema de uma empregada se aposentar antes?), ele distorce a ordem constitucional expressa na Constituição de 1988, ao afirmar que essa possibilidade contraria o princípio de igualdade entre as pessoas. Na verdade, essa distorção expressa o ponto de vista tradicional no Brasil, presente no imaginário político segundo o qual há dois tipos de cidadãos: primeira classe e segunda classe e que cabe aos primeiros a prerrogativa em tudo.

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