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Agência-laboratório está com vagas abertas

A curso de jornalismo está colocando em funcionamento a Agência-Laboratório de Práticas Inovadoras em Comunicação, a UNILAB!

O projeto vem sendo planejado há mais de um ano e agora está pronto para ser conhecido por todo mundo e estamos abrindo inscrições para xs estudantes que quiserem trabalhar como voluntários.

A UNILAB é uma plataforma de produção de serviços e conteúdos, bem como de pesquisas e aprendizado. A ideia é que nossos estudantes se envolvam na prestação serviços a entidade externas e instâncias internas à universidade, com assessorias de comunicação e imprensa, gestão de redes sociais, construção de sites, projetos de comunicação e produção de conteúdos.

São seis vagas em três categorias:

Foto e Vídeo: duas vagas
Gestão de redes sociais: duas vagas
Redação e web: duas vagas

Leia o edital de seleção (aqui: http://bit.ly/VoluntarioUnilab) e envie seu currículo para unilab@unicap.br até o dia 02 de Setembro. Depois do processo seletivo, xs selecionadxs já serão informados até o dia 16 de Setembro.

Estudo de caso: Vaza Jato 2

No primeiro estudo de caso da Vaza Jato, investigamos quais os argumentos jurídicos para o trabalho desenvolvido pelo site Intercept Brasil.

Nesse segundo estudo de caso, avaliamos os procedimentos de checagem – a checagem é uma das coisas básicas do jornalismo. Não importa de onde venha a informação, de assessoria, de boato, de um testemunho ou de um vazamento. É necessário checar para saber se a informação tem correspondência com a realidade.

O texto analisado dessa vez foi publicado no dia 14 de Junho de 2019 e se refere a coisas que aconteceram em Maio de 2017 – no caso bem sucintamente: a pressão feita pelo então juiz Sṕergio MOro sobre o Ministério Público Federal para plantar a leitura, na imprensa, de que o ex-presidente Lula falou de forma contraditório.

Não cabe aqui avaliar se o ex-presidente Lula realmente foi contraditório ou não, mas observar a relação promíscua entre o juiz e os acusadores. Esse é o elemento de interesse público e que ameaça qualquer cidadão em não ter julgamentos justos.

As mensagem recebidas indicam diálogos nos quais o ex-juiz solicita o envio de mensagens aos meios de comunicação (e a resistência dos assessores do PF em fazê-lo). O que se infere é que a principal forma de verificação disso foi ver onde tais notícias foram publicadas a parit da dat em que, nas mensagens vazadas, há a troca de mensagens entre juiz e procuradores.

Esse é o release que, à contragosto, a assessoria do MPF produziu. E esses são alguns dos lugares em que essas informações repercutiram. Abaixo, uma coluna da Joven Pan.

A verificação, nesses casos, envolveu identificar se havia realmente matérias produzidas nas datas indicadas nas mensagens vazadas em dias próximos ao que era indicado nos vazamentos.

Livros para resenhar

Há um número mínimo de livros que considero fundamentais para os objetivos dessa disciplina. O nome deles segue abaixo, com links.

A ideia é que vocês façam essas legendas (quantas quiser e puder) e possam entregar a resenha no prova do GQ.

Como vocês vão ver, são muito variados os temas tratados nos livros e presentes na programação da disciplina.

OS LIVROS:
A miserável revolução das classes Infames. Décio Freitas.
SCHWARCZ, Lilia Moritz – Nem Preto Nem Branco, Muito Pelo Contrario.
A ralé brasileira – quem é e como vive – Jessé de Souza
Roberto Schwarz – As Idéias Fora do Lugar – Roberto Schwarz
Ao vencedor, as batatas – Machado de Assis
ARANTES, Otília, Carlos Vainer, Ermínia Maricato – A cidade do pensamento único
Quarto de despejo – Maria Carolina de Jesus
NASCIMENTO, Abdias. O-QUILOMBISMO

Falando na programação da disciplina, a programação de aulas, com os respectivos temas e leituras, já estão definidos nesse link.

Estudo de caso: Vaza-Jato

Iniciamos, nas duas turmas, o estudo de caso da Vaza Jato – até agora o mais importante evento jornalístico no Brasil deste ano de 2019. Estudar o projeto se justifica por esse fator e também por mobilizar atores políticos do país, bem como por seus impactos econômicos. Além disso, a Vaza-Jato é um projeto multimídia que também se apoia em elementos básicos da prática jornalística.

Dois elementos jurídicos justificam e protegem o trabalho desenvolvido pela equipe do Intercept – e devem ser apropriados por estudantes de jornalismo do mesmo modo que os estudantes de Medicina, Engenharia ou Direito conhecem os marcos jurídicos que protegem suas profissões.

O primeiro desses elementos é o Artigo 5 da Constituição do Brasil:

Art 5

O último inciso (XIV) se refere basicamente ao trabalho dos jornalistas. O segunddo artigo é esse que vem logo abaixo.

Art 220

Os dois se referem à necessidade de uma imprensa livre como condição para que haja uma democracia plena. Ou seja, sem uma imprensa livre, não há democracia real. A Constituição de 1988, a que nos rege atualmente, foi escrita depois do fim do regime militar iniciado em 1964. A supressão dos direitos durante o regime acabou produzindo uma Carta Magna que procurou recuperar o Estado de Direito, que foi suspenso naquele período.

Assim, é possível afirmar que as tentativas de limitação do Intercept (ou de qualquer meio jornalístico), bem como as tentativas de deslegitimar esse trabalho, são também uma tentativa de deslegitimar a Constituição e a procura pelo estabelecimento do Estado de Direito no Brasil – que a bem da verdade não é real para toda a população.

É importante lembrar, ainda, que para o jornalismo não interessa os meios pelos quais essas informações foram obtidas. Interessa à Justiça investigar quais os sujeitos envolvidos  e ao Estado brasileiro cuidar para que seus agentes públicos trabalhem com mais segurança e sem práticas descuidada que permitam a invasão de privacidade.

Ao jornalista, entretanto, não cabe se deter nesses aspectos – cabe, sim, identificar se os conteúdos tem interesse público, verificar se as informações são verídicas, ouvir os lados envolvidos e publicar da maneira mais ampla possível.

Esses são, aliás, princípios básicos do jornalismo, como estabelecidos no Código de Ética do Jornalismo Brasileiro.

Assim sendo, uma lição importante desse primeiro olhar sobre a Vaza Jato é: se você se compromete em ser jornalista, seguir o Código de Ética da profissão e obedecer a Constituição brasileira, deve considerar que a Vaza Jato é não somente legal, como necessária.

Comentarei outros aspectos da Vaza Jato por esses dias. Por enquanto, fique à vontade para acrescentar outras coisas nos comentários.

Semestre que começa!

Saudações todxs. Como já informados todos e todas, considero que essa disciplina é, das que coordeno, a mais importante. Jornalismo Multimídia Especializado em Economia e Política tem a seguinte ementa:

Abordar a construção da sociabilidade política e econômica brasileira a partir do Estado, das suas origens, funções e papéis. Debater a formação e desenvolvimento do capitalismo no Brasil, bem como as interpretações acerca desse fenômeno,
contexto no qual está inserido o economicismo como traço da cultura política brasileira, e, assim, discutir elementos para a produção de informação jornalística sobre economia e política.

Isso significa, de forma geral, que estudamos as razões históricas da sociedade brasileira ser do jeito que ela é, com foco nas dinâmicas (nas realidades) econômicas e políticas. O curso é conduzido de forma a tratarmos de conceitos básicos, identificação de análises históricas, estudo de metodologias de busca de especialistas, uso de recursos multimídia de apresentação de dados e construção de narrativas jornalísticas.

Espero que a nossa experiência seja útil de verdade para vocês. A programação das aulas, bem como as leituras, estão disponíveis nesse link e poderá ser alterado em função de nossos interesses, do calendário ou de acontecimentos externos.

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