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Agência-laboratório está com vagas abertas

A curso de jornalismo está colocando em funcionamento a Agência-Laboratório de Práticas Inovadoras em Comunicação, a UNILAB!

O projeto vem sendo planejado há mais de um ano e agora está pronto para ser conhecido por todo mundo e estamos abrindo inscrições para xs estudantes que quiserem trabalhar como voluntários.

A UNILAB é uma plataforma de produção de serviços e conteúdos, bem como de pesquisas e aprendizado. A ideia é que nossos estudantes se envolvam na prestação serviços a entidade externas e instâncias internas à universidade, com assessorias de comunicação e imprensa, gestão de redes sociais, construção de sites, projetos de comunicação e produção de conteúdos.

São seis vagas em três categorias:

Foto e Vídeo: duas vagas
Gestão de redes sociais: duas vagas
Redação e web: duas vagas

Leia o edital de seleção (aqui: http://bit.ly/VoluntarioUnilab) e envie seu currículo para unilab@unicap.br até o dia 02 de Setembro. Depois do processo seletivo, xs selecionadxs já serão informados até o dia 16 de Setembro.

Quem descobriu o Brasil

Colaboração de Karlla Nascimento.
A ideia da música apareceu quando discutíamos uma característica da colonização no Brasil. Ela foi tocada por famílias, teve um forte caráter particular. Por um lado, isso estimulou uma visão distorcida da propriedade no Brasil; intensificou a presença de famílias na vida política e bagunçou a relação entre privado e público.

Leiam Mariana Basso. Link na Bibliografia.

Colonização e devastação de corpos e do ambiente

O que importa sublinhar desde logo é que sustento que as formas de exploração da mulher que foram tratadas no capítulo anterior compõem o substrato material, a base concreta da colonização. Não obstante a pluralidade de formas de vida das mulheres, alguns elementos foram muito generalizados, no sentido de a terra e a mulher terem sido vistas de forma análoga, controladas, adestradas e exploradas no limite, no benefício do projeto colonial. Na esteira dos autores citados, pode-se dizer que existia uma oposição gendrada em que a mulher foi associada ao elemento colonizado, à natureza e à América, ao passo que o masculino foi associado ao colonizador, à Europa, a o Estado monárquico. Isso implica em dizer que a colonização foi uma colonização da América e do seu território, e também dos corpos e das vidas das mulheres (a mulher foi mais objeto do que sujeito da colonização),…
O trecho acima foi retirado do texto “Colonialismo, patrimonialismo e patriarcalismo”, o quarto capítulo da dissertação de Mariana Basso e que você pode ler aqui. O texto é importante no nosso percurso por várias razões.

Primeiro, o texto define conceitos importantes para se compreender a política brasileira:

O patrimonialismo é uma forma de dominação baseada no poder pessoal da autoridade sacralizada, é por isso mesmo, personalista.

No centro dessa forma de dominação está o patriarcalismo, que significa poder político do patriarca.

No patrimonialismo a comunidade política é uma expansão da comunidade doméstica. Na nossa história, a figura do patriarca se confunde com a do senhor de terras.

Por este motivo, os conceitos de patrimonialismo, personalismo e patriarcalismo s

ão ligados à nossa herança rural.

Essas características se apresentam de diversas formas: na presença de famílias como protagonistas da política, na presença central de homens no nosso imaginário político, no uso da coisa pública (recursos públicos, equipamentos públicos, cargos, leis, etc) com interesses privados.

Vocês conhecem diversos exemplos disso: não é uma discussão etérea e abstrata. As família Sarney no Maranhão; Collor em Alagoas; Magalhães na Bahia, Campos em Pernambuco, Neves em Minas Gerais, Bolsonaro no Rio de Janeiro, são apenas alguns exemplos recentes disso tudo.

O uso privado de dinheiro público acaba sendo naturalizado nesse processo e leva a casos absurdos, como a construção dum aeroporto com verba pública e terreno da família de Aécio Neves.

Segundo, o raciocínio de Mariana Basso coloca em primeiro plano a mulher e sua condição no processo de colonização e da compreensão do patrimonialismo, do patriarcalismo e do personalismo. Essas características sempre foram estudadas por homens: Sérgio Buarque de Hollanda, Raymundo Faoro, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, entre outros.

Já Mariana observa que

Apesar de diferentes mulheres entrarem no jogo da colonização e da construção de nossas identidades políticas, a terra e a mulher foram  vistas de forma análoga, controladas, adestradas e exploradas no limite, no benefício do projeto colonial.

O “invadir, conquistar, subjugar” é o fundamento da exploração indígena, do latifúndio, da escravidão, e, também, da forma como foram tratadas as mulheres, do papel que lhes foi dado, de objeto da colonização.

Não é por acaso que temos, no Brasil taxas tão altas de feminicídio e de violência às populações LGBTQ: estas últimas representam uma negação da família ideal que a colonização impôs.

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Nessa página, uma série de indicadores oficiais sobre esse tema.
Por fim, o texto ajuda a entender (ou a lembrar) como a concentração da propriedade fundiária e do regime de trabalho escravo; o esforço particular do processo colonizador e a violência foram fundamentais para o processo colonizador.
Toda essa estrutura é atual e se manifesta de diversas maneiras. As queimadas na Amazônia, que acontecem há mais de três semanas já, são expressão imediata do estímulo do presidente Jair Bolsonaro, mas também de um imaginário construído a partir dos elementos trabalhados pela autora no capítulo.
Acho que nem precisa dizer como a leitura do texto e a reflexão dessas coisas é necessária para uma compreensão mais ampla de nossa realidade atual.
A ilustração desse post é de Rafael Reis.